quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Eu Sei

Faz tempo que eu não venho aqui.
Geralmente eu escrevo quando eu não me entendo mais. Mas é justamente nesses momentos que parece que é quando eu não escrevo que eu não me entendo.
Às vezes eu tenho que escrever pra me lembrar de como é a minha voz.
Eu me esqueço do que eu faço aqui. Muitas vezes eu me esqueço de que eu posso escrever. Muitas vezes eu não acredito que eu possa escrever. Às vezes eu acho que eu perdi isso em algum lugar, mas eu não me lembro aonde.
E é sempre nessa hora em que eu volto aqui que eu peço por mais uma chance. Que eu peço pra conseguir de novo. Que eu peço pra voltar. Porque eu acho que voltar vai me devolver todas as respostas que eu já não sabia.
Eu não conheço nada aqui dentro. Mas eu finjo que sim. E quando eu escrevo parece que eu estou mesmo perto de conhecer. Ainda assim, aqui eu me prendo. Muito menos do que eu me prendo do lado de fora.
O que me faz pensar no tanto que eu me prendo o tempo todo.
Parece que eu que me firo. Eu que fico me esfaqueando por dentro. Eu aguento quieta na maior parte do tempo, mas tem uma hora em que eu preciso gritar.
Não é que eu não saiba por que que eu choro. Eu sei bem. Eu só não posso falar em voz alta. Nem pra mim.
Eu choro porque eu não tenho certeza. E não ter certeza me deixa triste pelo que eu vou ter que deixar pra trás, mesmo que eu não saiba ainda o que é.
Eu quero sair. Não de casa, não pra rua. Eu quero sair de onde eu estou presa pra onde eu sou livre. Isso não tem a ver com mais ninguém além de mim. Não tem a ver com quem eu me relaciono, com quem eu encontro. Não tem a ver com quem eu converso, com quem diz minhas regras. Tem a ver só comigo.
(Eu só escrevo com música porque eu preciso de barulho do lado de fora pra fazer silêncio do lado de dentro.)
Eu devia pedir desculpas pra tanta gente. Eu já fiz tanta coisa burra. Não pela decisão em si, mas pelo jeito que foi feito.
Eu perdi tanto o propósito de mostrar o que eu escrevo. Eu não sei mais pra quê mostrar. Pra quem mostrar.
Eu preciso sair e respirar.

sábado, 29 de outubro de 2011

Fome.

Eu tenho que usar isso tudo dentro de mim pra produzir. Eu tenho que usar isso tudo pra escrever. Mas não pode ser a toda hora. Ou melhor, não pode ser a qualquer hora. Porque da mesma forma que a comida tem mais gosto na hora da fome, e a água é melhor na hora da sede, a arte é boa quando faz falta. O texto é bom quando escrevê-lo sacia e dá a sensação de fazer brotar tudo que não estava lá antes.
Eu sinto falta de escrever. Mas essa falta não me levava a lugar nenhum. Nem me dava vontade de pegar papel e caneta e sentar. Eu sinto falta de sentir falta. Eu sinto falta de ter vontade. Eu sinto faltar de sentir que eu posso escrever e que faço isso bem. Sabe quando a gente esquece? Não sei se o que eu esqueci foi o savoir faire (papai me disse que isso ia acontecer), se foi a paixão, se foi a vontade, se foi o jeito, se foi o costume. Espero não ter perdido o ritmo. Espero não ter me perdido. O que é só uma vontade louca de negação, porque eu sei muito bem que o que se perdeu fui eu. Só não sei quando, só não me lembro onde, só não sei por quê. Parece que de tempos em tempos eu me perco. Mas antes essa perda era logo registrada aqui. Perda de valores, perda de razão, perda de fé. Tudo isso ia, era suportável. Porque eu escrevia. Porque eu tinha por onde me olhar. Desde que eu parei de escrever, não tive mais por onde olhar. Perdi o olho mágico caleidoscopiante que me ajudava a entender. Se não entender, a achar mais bonito o não entendimento. É que as coisas confundem a gente. O que confunde costuma ser bonito, se você olha só pra confusão e esquece o que está confuso. Se o confuso não agonizar para se entender, será muito mais feliz. É como tentar desembolar aqueles rolos de linha completamente embaralhados. Você começa com calma, depois vai perdendo a paciência. Quando vê, já está puxando linhas de tudo que é lado, usando os dentes, tentando rasgar. E não consegue. Aí você deixa aquilo num canto, desiste. Um pouco mais tarde você vai olhar e perceber que era só puxar um fiozinho bem devagar, e os nós se desfazem. Gente confusa é assim. A gente fica nervoso com o rolo todo na cabeça da gente. Quer puxar por todos os lados pra ver se resolve, pra ver se se solta desse monte de sei lá o quê que deixa a gente aflito e preso em um milhão de fitas. Aí - depois de bastante tempo - a gente resolve parar de se debater e tentar olhar bem pro trançado que fez em volta (e às vezes dentro). E olha bem, porque é até bonito. O que é bem humano costuma ser bonito. O que é bem humano e não visa a dor de ninguém. Nesse caso, a dor mesmo é nossa, mas veio pela nossa falta de tato em cuidar da nossa vida, não porque a gente quis. E aí é bonito. E a gente olha. E pensa. Ou nem pensa e só sente. Sentir é como pensar, só que melhor. Porque para sentir a gente não precisa de palavra. A palavra é boa. É boa demais. Mas a palavra não alcança a exatidão automática do sentir. Pode provocar, pode chegar perto. Mas não sabe ser tão honesta, tão limpa e tão simples quanto o sentir. Aí a gente olha e sente. Pode pensar também. E vê que é bonito estar enrolado, porque é bonito ser humano, porque é bonito ser. E bem quando a gente já está gostando de ser meio enrolado, o fio solta. Sozinho. Vai até a sua mão a cordinha que, puxada, resolve tudo. E então você pode puxar com calma e se soltar. Mas guarda a cordinha, porque é bonito.
Eu vim falando de tudo isso sem saber que era disso que eu queria falar. Só sei que eu estava tomando café e descobri que estava inquieta em mim. E senti vontade de escrever. Mas queria continuar tomando café. Só que escrever é que nem ter fome. Quando vem, vem também a urgência. Então eu saí correndo pra cá. Mas trouxe meu pão.

domingo, 16 de outubro de 2011

Quando.

Chega uma hora em que a dor deixa de ser bonita. E então mergulhar em si é só encarar o nada. E bater com força no peito esperando que além da tosse, saia o caldo escuro de lama e piche que forma o vão dentro da gente.
Chega uma hora em que a dor deixa de ser bonita e se rasgar por dentro deixa de adiantar.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Atenção.

O Cesto vai voltar.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Veja só que coisa.

Estou oficialmente me retirando da disputa do "Cadê o Daniel?". Que engraçado, não?

Eu até tenho vários rabiscos desse texto. Mas eu não, sabe... Meio que perdi a vontade.

Talvez eu até poste ele aqui algum dia. Mas agora não. Porque eu não quero. :)


Parabéns pro Zé!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Cadê o Daniel? - Aviso.

Olá, gente de bom coração. Esta é uma mensagem para você. LEIA.

Há alguns meses, eu fiz uma aposta com o Zé do Potemkin. Um amigo nosso, o Daniel, tinha sumido por um tempo. Ficamos trocando teorias e surgiu a brilhante ideia de fazermos um concurso, o muito originalmente chamado "Cadê O Daniel?".

Acontece que o Zé produz freneticamente. Eu não. O que quer dizer que o texto dele já está no Potemkin desde o ano passado. Mais precisamente aqui. O meu ainda não veio para cá. O que nos traz ao verdadeiro assunto desta sucinta mensagem!

O Zé está cheio de vontade de declarar a vitória dele por W.O.. Não aceitem isso! Eu tenho o direito de competir ainda!

Muito em breve, o texto vencedor.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Há de se aparecer e escrever para mostrar que se está viva.





Idéia de gaveta. Quem quer?




O que será que passa dentro? Por que o mundo do outro é tão indefinível e estranho? Quem é que te define como razão de ser e existir e vai existir tão longe de você? Ou será que nada nunca realmente existiu?
Atravessar a rua. E andar. Andar mais. E mais. E mais. E mais. E mais. E andar até que andar não seja mais a tarefa, porque não se percebe mais o que faz, de tanto que se fez. Quando não sentir mais as pernas, pense. E pense. E pense. E pense. E quem sabe dá certo.
Eu quero tanto gritar que não adianta o meu. Tenho que pegar o grito dos outros. Todos os gritos de todos os mundos. Porque dentro de mim só tem vontade, mas não acho a voz.