Mostrando postagens com marcador aprender. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador aprender. Mostrar todas as postagens

domingo, 17 de outubro de 2010

Já.






Troca o talento que tem pela felicidade certa que busca. Cada um quer o que quer, sem parar para discutir se é o certo ou não - a competição é dura e os velozes conseguem primeiro. Se há certeza? Há certeza de que não há tempo!

Eu procuro começos sonoros.

Se alguém tentar escalar o mar tão alto e nadar por montanhas azuis, deixando para trás mãos que o seguram, noções de grandeza, pés no chão, planos de outros, barrigas por crescer e a população periférica da vida que levava (sem permitir aderências da nova vida que quer levar), quem estará do outro lado do impossível conquistado para dar-lhe o abraço congratulatório?

O grande presente é o agora.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Pode Ser Azul.



“Por que você não sobe no céu de para quedas e abre uma nuvem?”
Um menino de seis anos olhou para o cordão com um pingente em forma de chave que ela carregava no pescoço e disse.
Porque era a chave do céu. E, se dá para abrir o céu, a gente vai até lá e abre.
Porque esses momentos são necessários. Esses em que a gente, que se acha mais alto, percebe como é mais baixo.
E porque aos seis anos tudo é poesia.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

E nós subimos em árvores.







(se possível, leia ouvindo Open Your Eyes, do Snow Patrol.)


O mundo corre para todos os lados. Cada lado que vai é um lado que volta. Em toda manhã há alguém que abre a janela, olha o sol nascendo no que já foi e respira fundo para sentir coisa que ainda vai ser. E que mesmo vivendo no meio de tudo, toma café e anda. Faz o que precisa para não ser núcleo estático, mas para se mexer e poder olhar de fora também.

Tem planetas que giram junto da Terra, que gira em volta do Sol. Em outros lugares da galáxia tem outros planetas, que giram em volta de outras estrelas. Em outros lugares do espaço tem outras galáxias (a gente é pequenininho). Em uma pessoa há vários espaços. Desses espaços, há os que são preenchidos por outras pessoas, os que outras pessoas fizeram, os que são feitos pela própria pessoa que os tem, os que só vão sumir quando a pessoa lembrar de algo que já esqueceu, os que só se vão quando a pessoa esquece de algo (se bem que cada lembrança implica em um esquecimento). Tem espaço onde cabe muita coisa diferente. Tem espaços que abrem mais espaços e mais um montão de tipos de espaços - tem até espaço que já acabou e ninguém viu. Os que sobram (os espaços físicos), são todos preenchidos pos coisas formadas por átomos. Nos átomos tem elétrons, que giram em torno de um núcleo. Em tudo que se vê (e em parte do que não se vê) tem bilhões de átomos diferentes, com bilhões de elétrons rodando. Eles são pequenininhos. Nosso planeta será elétron de quê?

Tem gente que vai andar na praia. Que depois de suar bastante, de botar bastante água para fora, senta e põe água para dentro. Mas olha o mar também, o que já é bom.

Tem gente que vai andar no coração dos outros. Que depois de pisar bastante, de fazer a pessoa botar bastante água para fora, deixa alguém andar no próprio coração. E põe um monte de água para fora. Mas olha o amor (amar) também, o que já é bom.

Tem um monte de pessoas andando lá fora. E animais. E a diversificada mistura dos dois. Eles andam o tempo todo. E se um pára, os outros continuam andando, em todas as direções. Ninguém anda sozinho (uma direção é sempre compartilhada).

Tem muitos lugares lá fora. Ermos e habitados, vibrantes e sóbrios, alegres e tristes. Que mudam de tamanho, dependendo de quem vê. Que acolhem. Que fazem rir ou chorar. E chorar.

Tem um céu lá fora. Que (também) muda de cor e tamanho, dependendo de quem vê, como e quando.

Tem gente que morre, sim. E tem gente que nasce. Tem gente que vive e tem gente que existe.

Tem gente que sabe contar histórias. Tem gente que sabe ouvir. Tem gente que sabe olhar. Tem gente que sabe cozinhar. Tem gente que gosta. Tem gente que precisa.

Tem gente que abraça, tem gente que beija. Há os que batem. Há os que sentem muito. Há os que sentem medo. Há os que sentem medo e dizem que não, só para proteger outros.

...

Porque tem gente que ama.
E nós, que subimos em árvores, queremos ver tudo de cima.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Só vale pra um.

E então me vem um dizendo que tenta conhecer Deus. Escreve para ele e tudo. Mas Deus não responde.
- Daniel, você tem colhido poucas flores.
E, sempre que possível, volte para o banho de chuva.


(Ouvindo: The Kids Don’t Stand A Chance, Vampire Weekend.)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Mestre,

"Cinco idiotas passavam por uma aldeia. Quando as pessoas os viram, ficaram surpresas, pois carregavam um barco acima da cabeça. Era um barco grande e os cinco estavam quase morrendo sob seu peso. Perguntaram a eles:
- O que vocês estão fazendo?
Eles responderam:
- Não podemos abandonar o barco. Este barco nos ajudou a vir da outra margem até esta. Como poderíamos deixá-lo? Por causa dele conseguimos chegar até aqui. Sem ele, teríamos morrido na outra margem. Já era quase noite e apareceram animais selvagens na outra margem; com certeza já estaríamos mortos agora. Nunca abandonaremos este barco, pois temos uma dívida eterna com ele. Vamos levá-lo sempre sobre nossas cabeças em total gratidão."
Osho, Meditação.

Não me ensineis a ler, não quero ser ensinada. Não digo que sei tudo, nem nego que tendes conhecimento. Meu orgulho não vai tão longe a ponto de me cegar para tudo que podeis me transmitir. Mas não quero que me transmitais nada além de vontade e sugestões. Vosso método não me interessa. Se for aprender, aprenderei de mim. Eu leio, eu penso, eu vejo. Se estiver vendo a coisa errada, eu pagarei meu erro, mas tudo será meu e de mim. E isso me fará crescer. Passai-me a luz, mas não me deixeis perceber. Fazei de um modo que eu sinta o saber em mim e não saiba dizer de onde veio. Enganai-me. É só o que vos peço. Dai-me, por gentileza, o prazer de poder pensar que aprender é milagre.
Não deixeis, de forma alguma, de ensinar aos outros objetivamente. O caso é meu e só. Já dispenso meu barco, dai-o a quem precisa agora. O tempo de andar de mãos dadas passou; agora caminho sozinha. Peço apenas que fiqueis a postos, porque eu vos chamarei se cair ou se parar sem poder escolher por onde seguir. Não digo que pedirei ajuda se me perder, pois perdida sempre estou. Se algum dia me encontrar, perco o sentido da procura e de que adiantaria seguir então? Fujo do meu centro de propósito, para poder conhecer o máximo de minha periferia. Toco meu total ocasionalmente – reflexos, flashes – mas volto rápido para segmentos de mim. Não, ainda não me interessa me ter em total consciência. Por enquanto, a simples certeza de saber que sou total e inteira dentro de mim me basta.
Portanto, peço: não me tireis isso. Não me tireis o direito de descobrir sozinha. De me descobrir sozinha. De ler sozinha. De me ler sozinha. Porque tudo que leio é eu.
Meu respeito e minha admiração por vós não acaba.
Grata.