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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Caracol.




O lado de dentro – redemoinho constante. O lado de fora é só onda rasa.

Aponte-me o dedo longo para falar de bem e de amor puro. Sua própria vida não me importa, faça o que lhe parecer mais correto. Pare, então, de falar da minha como se a certeza viesse de sua boca sem toque. Que procura em mim? Que acha que tenho de tão exótico? Que diferença tenho? Vá olhar-se.

Ao contrário, não tenho que falar o que penso, portanto não o faço. Percebe? Nota o tanto que fica em ebulição e não transborda? Nota a paz que tem? Entenda que não é por mim, mas por você. Respeito o rosto angelical que nada sabe; sua inocência é o que lhe salva. (Porém aqui não me freio. Escrita é minha terra, não me impeço por ninguém). Compreendo que do solo em que se plante não nasça nada diferente da semente. Mas você ainda não é flor. Ainda há adubo que lhe salve. Mas você não se esforça! Você não quer. Recusa o adubo como se fosse veneno e cresce sem flor de abrir. Vai viver sempre botão? Acha feio a rosa desabrochar?

Qual o pudor da rosa? A rosa que esconde a cor vive como mato (e sem a simplicidade bela de ser mato, pois nasceu flor). Como vai ser feliz, então?
(Faço uso do espinho, com seiva sangrando).

Olhe para mim e fale alto, olhos nos olhos. Vira o rosto para dizer o que pensa? Então tem vergonha do que acha? Ou não acha nada? As palavras que sabe são as que descobriu ou as que lhe ensinaram que eram corretas? Repete, repete, repete, repete, repete. Como sabe que o que escolheu para seguir é certo? Parece que não tem nada de seu. Ah, minto. Tem. E camufla com dos outros. O que é seu é lindo! E todos podem ver. Menos você. Acha que enxerga tão bem o dos outros e o próprio se recusa a ver?

Diz que vai à Igreja. E de que adianta, se não crê em nada? Carolice... Evidente que é. Sabe o que é?

Ah, eu posso. Posso ser tão infeliz e miserável quanto você. Mas sei, sei de verdade, que me esforço para não ser mais. (Já te vi feliz?)

E não me peça.

Pare de me avisar que estou errado, porque meu objetivo não é estar certo.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Lixinho - Dois.


Tem dias em que dá vontade de desligar tudo. Incluindo pessoas. Aliás, especialmente pessoas. Eu não me incomodaria de poder, com um botão, calar tudo que gostaria de calar nos outros. Não pense que me superestimo. Não me acho melhor que ninguém. Mas tem vezes - Ah tantas vezes - em que a glória seria botar o mundo no mudo, e ouvir só o que vem de dentro (ou só o que tem de puro do lado de fora).

Mas é necessário considerar que estou de mau humor. Chata mesmo. E, sendo sincera, se eu fosse eu e me conhecesse agora, ia querer me desligar. Você tem o poder de fazer isso, não desperdice.

Vou dormir, cansei de mim.