Mas agora me deu uma saudade, uma saudade enorme de mim. Como se eu tivesse me visto pela janela no carro e não pudesse parar para cumprimentar.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
O Nascer Do Caule É O Nascer Do Homem.
Ele atravessou a rua para comprar gerânios que não achava mais em lugar nenhum. Da falta de gerânios nasceu em seu peito um vazio irreparável, coberto mal e porcamente com girassóis – era o que tinha. Mas ao ver a carrocinha cuidadosamente maltratada pelo tempo, sentiu crescer em si a esperança de ser completo novamente. Um pedaço de si só poderia retornar quando tivesse as flores. Só quando tivesse gerânios.
Correu. Mas no caminhar comedido de quem corre por dentro. O palpitar intenso não ultrapassava a barreira da civilidade aprendida à perfeição e exercitada em muitos anos de cinza. Conseguia manter o colorido interior graças às flores. Graças aos gerânios.
Parou. Por um tempo manteve os olhos fechados. Respirou. O aroma incomparável de gerânios encheu cada parte sua. E o buraco começava a ser preenchido novamente. Escolheu uma braçada dos gerânios mais sorridentes.
Sorriu. Voltou para casa com a alma coberta de pétalas. Naquela noite faria biscoitos. Naquela noite teria gerânios e nem mais um coração perdido.
Correu. Mas no caminhar comedido de quem corre por dentro. O palpitar intenso não ultrapassava a barreira da civilidade aprendida à perfeição e exercitada em muitos anos de cinza. Conseguia manter o colorido interior graças às flores. Graças aos gerânios.
Parou. Por um tempo manteve os olhos fechados. Respirou. O aroma incomparável de gerânios encheu cada parte sua. E o buraco começava a ser preenchido novamente. Escolheu uma braçada dos gerânios mais sorridentes.
Sorriu. Voltou para casa com a alma coberta de pétalas. Naquela noite faria biscoitos. Naquela noite teria gerânios e nem mais um coração perdido.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Eu Sei
Faz tempo que eu não venho aqui.
Geralmente eu escrevo quando eu não me entendo mais. Mas é justamente nesses momentos que parece que é quando eu não escrevo que eu não me entendo.
Às vezes eu tenho que escrever pra me lembrar de como é a minha voz.
Eu me esqueço do que eu faço aqui. Muitas vezes eu me esqueço de que eu posso escrever. Muitas vezes eu não acredito que eu possa escrever. Às vezes eu acho que eu perdi isso em algum lugar, mas eu não me lembro aonde.
E é sempre nessa hora em que eu volto aqui que eu peço por mais uma chance. Que eu peço pra conseguir de novo. Que eu peço pra voltar. Porque eu acho que voltar vai me devolver todas as respostas que eu já não sabia.
Eu não conheço nada aqui dentro. Mas eu finjo que sim. E quando eu escrevo parece que eu estou mesmo perto de conhecer. Ainda assim, aqui eu me prendo. Muito menos do que eu me prendo do lado de fora.
O que me faz pensar no tanto que eu me prendo o tempo todo.
Parece que eu que me firo. Eu que fico me esfaqueando por dentro. Eu aguento quieta na maior parte do tempo, mas tem uma hora em que eu preciso gritar.
Não é que eu não saiba por que que eu choro. Eu sei bem. Eu só não posso falar em voz alta. Nem pra mim.
Eu choro porque eu não tenho certeza. E não ter certeza me deixa triste pelo que eu vou ter que deixar pra trás, mesmo que eu não saiba ainda o que é.
Eu quero sair. Não de casa, não pra rua. Eu quero sair de onde eu estou presa pra onde eu sou livre. Isso não tem a ver com mais ninguém além de mim. Não tem a ver com quem eu me relaciono, com quem eu encontro. Não tem a ver com quem eu converso, com quem diz minhas regras. Tem a ver só comigo.
(Eu só escrevo com música porque eu preciso de barulho do lado de fora pra fazer silêncio do lado de dentro.)
Eu devia pedir desculpas pra tanta gente. Eu já fiz tanta coisa burra. Não pela decisão em si, mas pelo jeito que foi feito.
Eu perdi tanto o propósito de mostrar o que eu escrevo. Eu não sei mais pra quê mostrar. Pra quem mostrar.
Eu preciso sair e respirar.
Geralmente eu escrevo quando eu não me entendo mais. Mas é justamente nesses momentos que parece que é quando eu não escrevo que eu não me entendo.
Às vezes eu tenho que escrever pra me lembrar de como é a minha voz.
Eu me esqueço do que eu faço aqui. Muitas vezes eu me esqueço de que eu posso escrever. Muitas vezes eu não acredito que eu possa escrever. Às vezes eu acho que eu perdi isso em algum lugar, mas eu não me lembro aonde.
E é sempre nessa hora em que eu volto aqui que eu peço por mais uma chance. Que eu peço pra conseguir de novo. Que eu peço pra voltar. Porque eu acho que voltar vai me devolver todas as respostas que eu já não sabia.
Eu não conheço nada aqui dentro. Mas eu finjo que sim. E quando eu escrevo parece que eu estou mesmo perto de conhecer. Ainda assim, aqui eu me prendo. Muito menos do que eu me prendo do lado de fora.
O que me faz pensar no tanto que eu me prendo o tempo todo.
Parece que eu que me firo. Eu que fico me esfaqueando por dentro. Eu aguento quieta na maior parte do tempo, mas tem uma hora em que eu preciso gritar.
Não é que eu não saiba por que que eu choro. Eu sei bem. Eu só não posso falar em voz alta. Nem pra mim.
Eu choro porque eu não tenho certeza. E não ter certeza me deixa triste pelo que eu vou ter que deixar pra trás, mesmo que eu não saiba ainda o que é.
Eu quero sair. Não de casa, não pra rua. Eu quero sair de onde eu estou presa pra onde eu sou livre. Isso não tem a ver com mais ninguém além de mim. Não tem a ver com quem eu me relaciono, com quem eu encontro. Não tem a ver com quem eu converso, com quem diz minhas regras. Tem a ver só comigo.
(Eu só escrevo com música porque eu preciso de barulho do lado de fora pra fazer silêncio do lado de dentro.)
Eu devia pedir desculpas pra tanta gente. Eu já fiz tanta coisa burra. Não pela decisão em si, mas pelo jeito que foi feito.
Eu perdi tanto o propósito de mostrar o que eu escrevo. Eu não sei mais pra quê mostrar. Pra quem mostrar.
Eu preciso sair e respirar.
sábado, 29 de outubro de 2011
Fome.
Eu tenho que usar isso tudo dentro de mim pra produzir. Eu tenho que usar isso tudo pra escrever. Mas não pode ser a toda hora. Ou melhor, não pode ser a qualquer hora. Porque da mesma forma que a comida tem mais gosto na hora da fome, e a água é melhor na hora da sede, a arte é boa quando faz falta. O texto é bom quando escrevê-lo sacia e dá a sensação de fazer brotar tudo que não estava lá antes.
Eu sinto falta de escrever. Mas essa falta não me levava a lugar nenhum. Nem me dava vontade de pegar papel e caneta e sentar. Eu sinto falta de sentir falta. Eu sinto falta de ter vontade. Eu sinto faltar de sentir que eu posso escrever e que faço isso bem. Sabe quando a gente esquece? Não sei se o que eu esqueci foi o savoir faire (papai me disse que isso ia acontecer), se foi a paixão, se foi a vontade, se foi o jeito, se foi o costume. Espero não ter perdido o ritmo. Espero não ter me perdido. O que é só uma vontade louca de negação, porque eu sei muito bem que o que se perdeu fui eu. Só não sei quando, só não me lembro onde, só não sei por quê. Parece que de tempos em tempos eu me perco. Mas antes essa perda era logo registrada aqui. Perda de valores, perda de razão, perda de fé. Tudo isso ia, era suportável. Porque eu escrevia. Porque eu tinha por onde me olhar. Desde que eu parei de escrever, não tive mais por onde olhar. Perdi o olho mágico caleidoscopiante que me ajudava a entender. Se não entender, a achar mais bonito o não entendimento. É que as coisas confundem a gente. O que confunde costuma ser bonito, se você olha só pra confusão e esquece o que está confuso. Se o confuso não agonizar para se entender, será muito mais feliz. É como tentar desembolar aqueles rolos de linha completamente embaralhados. Você começa com calma, depois vai perdendo a paciência. Quando vê, já está puxando linhas de tudo que é lado, usando os dentes, tentando rasgar. E não consegue. Aí você deixa aquilo num canto, desiste. Um pouco mais tarde você vai olhar e perceber que era só puxar um fiozinho bem devagar, e os nós se desfazem. Gente confusa é assim. A gente fica nervoso com o rolo todo na cabeça da gente. Quer puxar por todos os lados pra ver se resolve, pra ver se se solta desse monte de sei lá o quê que deixa a gente aflito e preso em um milhão de fitas. Aí - depois de bastante tempo - a gente resolve parar de se debater e tentar olhar bem pro trançado que fez em volta (e às vezes dentro). E olha bem, porque é até bonito. O que é bem humano costuma ser bonito. O que é bem humano e não visa a dor de ninguém. Nesse caso, a dor mesmo é nossa, mas veio pela nossa falta de tato em cuidar da nossa vida, não porque a gente quis. E aí é bonito. E a gente olha. E pensa. Ou nem pensa e só sente. Sentir é como pensar, só que melhor. Porque para sentir a gente não precisa de palavra. A palavra é boa. É boa demais. Mas a palavra não alcança a exatidão automática do sentir. Pode provocar, pode chegar perto. Mas não sabe ser tão honesta, tão limpa e tão simples quanto o sentir. Aí a gente olha e sente. Pode pensar também. E vê que é bonito estar enrolado, porque é bonito ser humano, porque é bonito ser. E bem quando a gente já está gostando de ser meio enrolado, o fio solta. Sozinho. Vai até a sua mão a cordinha que, puxada, resolve tudo. E então você pode puxar com calma e se soltar. Mas guarda a cordinha, porque é bonito.
Eu vim falando de tudo isso sem saber que era disso que eu queria falar. Só sei que eu estava tomando café e descobri que estava inquieta em mim. E senti vontade de escrever. Mas queria continuar tomando café. Só que escrever é que nem ter fome. Quando vem, vem também a urgência. Então eu saí correndo pra cá. Mas trouxe meu pão.
Eu sinto falta de escrever. Mas essa falta não me levava a lugar nenhum. Nem me dava vontade de pegar papel e caneta e sentar. Eu sinto falta de sentir falta. Eu sinto falta de ter vontade. Eu sinto faltar de sentir que eu posso escrever e que faço isso bem. Sabe quando a gente esquece? Não sei se o que eu esqueci foi o savoir faire (papai me disse que isso ia acontecer), se foi a paixão, se foi a vontade, se foi o jeito, se foi o costume. Espero não ter perdido o ritmo. Espero não ter me perdido. O que é só uma vontade louca de negação, porque eu sei muito bem que o que se perdeu fui eu. Só não sei quando, só não me lembro onde, só não sei por quê. Parece que de tempos em tempos eu me perco. Mas antes essa perda era logo registrada aqui. Perda de valores, perda de razão, perda de fé. Tudo isso ia, era suportável. Porque eu escrevia. Porque eu tinha por onde me olhar. Desde que eu parei de escrever, não tive mais por onde olhar. Perdi o olho mágico caleidoscopiante que me ajudava a entender. Se não entender, a achar mais bonito o não entendimento. É que as coisas confundem a gente. O que confunde costuma ser bonito, se você olha só pra confusão e esquece o que está confuso. Se o confuso não agonizar para se entender, será muito mais feliz. É como tentar desembolar aqueles rolos de linha completamente embaralhados. Você começa com calma, depois vai perdendo a paciência. Quando vê, já está puxando linhas de tudo que é lado, usando os dentes, tentando rasgar. E não consegue. Aí você deixa aquilo num canto, desiste. Um pouco mais tarde você vai olhar e perceber que era só puxar um fiozinho bem devagar, e os nós se desfazem. Gente confusa é assim. A gente fica nervoso com o rolo todo na cabeça da gente. Quer puxar por todos os lados pra ver se resolve, pra ver se se solta desse monte de sei lá o quê que deixa a gente aflito e preso em um milhão de fitas. Aí - depois de bastante tempo - a gente resolve parar de se debater e tentar olhar bem pro trançado que fez em volta (e às vezes dentro). E olha bem, porque é até bonito. O que é bem humano costuma ser bonito. O que é bem humano e não visa a dor de ninguém. Nesse caso, a dor mesmo é nossa, mas veio pela nossa falta de tato em cuidar da nossa vida, não porque a gente quis. E aí é bonito. E a gente olha. E pensa. Ou nem pensa e só sente. Sentir é como pensar, só que melhor. Porque para sentir a gente não precisa de palavra. A palavra é boa. É boa demais. Mas a palavra não alcança a exatidão automática do sentir. Pode provocar, pode chegar perto. Mas não sabe ser tão honesta, tão limpa e tão simples quanto o sentir. Aí a gente olha e sente. Pode pensar também. E vê que é bonito estar enrolado, porque é bonito ser humano, porque é bonito ser. E bem quando a gente já está gostando de ser meio enrolado, o fio solta. Sozinho. Vai até a sua mão a cordinha que, puxada, resolve tudo. E então você pode puxar com calma e se soltar. Mas guarda a cordinha, porque é bonito.
Eu vim falando de tudo isso sem saber que era disso que eu queria falar. Só sei que eu estava tomando café e descobri que estava inquieta em mim. E senti vontade de escrever. Mas queria continuar tomando café. Só que escrever é que nem ter fome. Quando vem, vem também a urgência. Então eu saí correndo pra cá. Mas trouxe meu pão.
domingo, 16 de outubro de 2011
Quando.
Chega uma hora em que a dor deixa de ser bonita. E então mergulhar em si é só encarar o nada. E bater com força no peito esperando que além da tosse, saia o caldo escuro de lama e piche que forma o vão dentro da gente.
Chega uma hora em que a dor deixa de ser bonita e se rasgar por dentro deixa de adiantar.
Chega uma hora em que a dor deixa de ser bonita e se rasgar por dentro deixa de adiantar.
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quarta-feira, 14 de setembro de 2011
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Veja só que coisa.
Estou oficialmente me retirando da disputa do "Cadê o Daniel?". Que engraçado, não?
Eu até tenho vários rabiscos desse texto. Mas eu não, sabe... Meio que perdi a vontade.
Talvez eu até poste ele aqui algum dia. Mas agora não. Porque eu não quero. :)
Parabéns pro Zé!
Eu até tenho vários rabiscos desse texto. Mas eu não, sabe... Meio que perdi a vontade.
Talvez eu até poste ele aqui algum dia. Mas agora não. Porque eu não quero. :)
Parabéns pro Zé!
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Cadê o Daniel? - Aviso.
Olá, gente de bom coração. Esta é uma mensagem para você. LEIA.
Há alguns meses, eu fiz uma aposta com o Zé do Potemkin. Um amigo nosso, o Daniel, tinha sumido por um tempo. Ficamos trocando teorias e surgiu a brilhante ideia de fazermos um concurso, o muito originalmente chamado "Cadê O Daniel?".
Acontece que o Zé produz freneticamente. Eu não. O que quer dizer que o texto dele já está no Potemkin desde o ano passado. Mais precisamente aqui. O meu ainda não veio para cá. O que nos traz ao verdadeiro assunto desta sucinta mensagem!
O Zé está cheio de vontade de declarar a vitória dele por W.O.. Não aceitem isso! Eu tenho o direito de competir ainda!
Muito em breve, o texto vencedor.
Há alguns meses, eu fiz uma aposta com o Zé do Potemkin. Um amigo nosso, o Daniel, tinha sumido por um tempo. Ficamos trocando teorias e surgiu a brilhante ideia de fazermos um concurso, o muito originalmente chamado "Cadê O Daniel?".
Acontece que o Zé produz freneticamente. Eu não. O que quer dizer que o texto dele já está no Potemkin desde o ano passado. Mais precisamente aqui. O meu ainda não veio para cá. O que nos traz ao verdadeiro assunto desta sucinta mensagem!
O Zé está cheio de vontade de declarar a vitória dele por W.O.. Não aceitem isso! Eu tenho o direito de competir ainda!
Muito em breve, o texto vencedor.
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domingo, 12 de dezembro de 2010
Há de se aparecer e escrever para mostrar que se está viva.
Idéia de gaveta. Quem quer?
O que será que passa dentro? Por que o mundo do outro é tão indefinível e estranho? Quem é que te define como razão de ser e existir e vai existir tão longe de você? Ou será que nada nunca realmente existiu?
Atravessar a rua. E andar. Andar mais. E mais. E mais. E mais. E mais. E andar até que andar não seja mais a tarefa, porque não se percebe mais o que faz, de tanto que se fez. Quando não sentir mais as pernas, pense. E pense. E pense. E pense. E quem sabe dá certo.
Eu quero tanto gritar que não adianta o meu. Tenho que pegar o grito dos outros. Todos os gritos de todos os mundos. Porque dentro de mim só tem vontade, mas não acho a voz.
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domingo, 17 de outubro de 2010
Já.
Troca o talento que tem pela felicidade certa que busca. Cada um quer o que quer, sem parar para discutir se é o certo ou não - a competição é dura e os velozes conseguem primeiro. Se há certeza? Há certeza de que não há tempo!
Eu procuro começos sonoros.
Se alguém tentar escalar o mar tão alto e nadar por montanhas azuis, deixando para trás mãos que o seguram, noções de grandeza, pés no chão, planos de outros, barrigas por crescer e a população periférica da vida que levava (sem permitir aderências da nova vida que quer levar), quem estará do outro lado do impossível conquistado para dar-lhe o abraço congratulatório?
O grande presente é o agora.
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Obs.
Eu queria agradecer por todos os emails. Tem sido divertidíssimo responder dúvidas inquietantes e trocar receitas de bolo.
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segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Correspondência.
Eu sei que comentar textos e opiniões publicamente é uma tremenda de uma responsabilidade e assusta os leitores mais acanhados.
Foi pensando nesse grupo, que perde o sono pensando no que quer falar mas não tem coragem, que explode dentro de si com respostas que gostaria de dar, que teme o assédio que vai sofrer mas que não gosta de postar como Anônimo, que eu criei o email do Cesto!
Agora, sempre que você quiser deixar elogios, sugestões, pensamentos, procurar por aconselhamento sentimental ou mandar correntes, pode enviar para jogatudodentro@gmail.com!
A cada resposta, um eu-lírico surpresa!
Foi pensando nesse grupo, que perde o sono pensando no que quer falar mas não tem coragem, que explode dentro de si com respostas que gostaria de dar, que teme o assédio que vai sofrer mas que não gosta de postar como Anônimo, que eu criei o email do Cesto!
Agora, sempre que você quiser deixar elogios, sugestões, pensamentos, procurar por aconselhamento sentimental ou mandar correntes, pode enviar para jogatudodentro@gmail.com!
A cada resposta, um eu-lírico surpresa!
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Primeira Primavera.
Ontem mesmo, minha irmã brilhante veio com a idéia brilhante de brilhantemente postar um texto meu chamado "Presente" no dia da brilhante data do primeiro aniversário de brilhantismo do Cesto. Como vocês podem perceber, eu não ainda não alcancei esse nível de genialidade e acabei postando o tal texto antes da presente data. Mas tem nada não, que se eu estou aqui pra escrever, eu escrevo mesmo. Que se faça um outro post.
Por ser aniversário, resolvi fazer uma festinha: selecionei vários projetos de textos que estavam dormindo no meu caderno para juntar na coleção de Idéias de Gaveta que eu tenho aqui. Talvez eu continue todos, talvez não. Por ora, quero mostrá-los a vocês.
E parabéns para nós, pessoal. O Cesto é muito importante para mim e - por incrível que pareça - um lugar muito feliz! =)
Quem não tem história, inventa uma.
Eu estava agora tentando inventar uma. Então eu acabei falando de mim. Isso me deu uma vontade tão grande de sair de lá. De parar de escrever aquilo. Aí eu fugi para cá.
Há muito não escrevo e assim, de súbito, me deu vontade de voltar ao papel – esse meu companheiro, amigo e amante, que nunca mente ou engana e sempre me recebe com amor sereno, mesmo depois de longas ausências.
Penso como seria ser folha de papel em branco – sem pauta – e ter pena para me escrever em mim. Ou (como não haveria linhas pré-feitas) desenhos de ar lúdico-renascentista, se tivera o dom. (Do dom, aliás, conheço pouco. Sei, porém, que é belo a ponto de dar calafrios o saber de algo que nunca se aprendeu. Aprimora-se, como tudo que há. Mas a essência, a seiva, não muda. E cada música, pintura, quadro, escultura, poema e prosa terá sempre o mesmo sangue do artista.) Penso como seria ser folha de papel em branco – talvez o seja.
Há muito não escrevo e quis, então, destinar-lhe palavras.
Não é sofrimento, sabe. Não gosto dessa palavra. É só vazio. É só olhar para o nada, olhar para frente, para cima, e só ver um clarão disforme que não diz nada. Ainda assim, saber que está tudo lá. Isso não é frustrante?
Quando foi que começou a não conseguir mais traduzir? Talvez nunca tenha sentido tanto, visto tanto, pensado em tanto, e ainda assim não consegue.
Sinto saudades de falar só comigo. Agora é um bom momento?
Quero começar de novo, então. Um, dois, já.
E tudo é um dessa vez. Me diz, por que ir tão longe? Está tudo aqui.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Mases.
Amanhã o Cesto faz 1 ano de existência - que coisa! Eu acho muito engraçado como um pedacinho bobo de algo intangível possa ter me deixado tão feliz. Graças ao Cesto, eu aprendi muita coisa, pude pensar em muita coisa e pude me orgulhar muito de algo só MEU. Isso é muito legal! =D
Pra manter minha maratona de posts (acho que foi um recorde) e o clima de contagem regressiva para o aniversário, deixo aqui um textinho encontrado no fundo da gaveta - mais uma rapa do tacho de mim. Já me abri tanto aqui, já me expus de tal forma, que não tenho mais medo de colocar coisas que escrevi inicialmente só pra mim. E não é como se vocês não me conhecessem, não é?
Boa sorte e muito agradecida por terem chegado até aqui comigo. É grande parte da minha alegria =)
Às vezes eu sinto falta de chorar. Me vem uma vontade de lágrima danada. Mas não é vontade de sofrer ou de ser triste. É só saudade de guardar tanta beleza, tanta verdade, tanto espanto, e vazar.
Eu li uma vez que o escritor tem que parar de acreditar nisso de inspiração. Que o certo é tomar vergonha na cara, sentar na cadeira e, beneditino, escrever. Posso fazer isso. Mas sai sem gosto.
É assim que tem sido há um tempo. Eu faço as coisas, eu vou aos lugares, converso, sorrio, sinto, abraço. No entanto, vem tudo tão sem gosto. E não é o insosso sentido naqueles dias epifaníacos, em que a gente parece estar descolado do resto da dimensão, andando aqui só como espectador. Esse tipo de falta de gosto, na verdade, é saborosamente colorido. A questão agora é essa ausência de fagulha para dançar dentro do peito.
Talvez esteja faltando música ou dança ou paciência ou carinho ou berço ou colo ou calma ou cafuné ou grito ou abraço ou beijo ou riso ou ímpeto ou entrega ou limite ou cumplicidade ou espaço ou espelho.
É isso que eu quero?
Eu amo. Mas que amor é esse encapsulado? Parece que depois de um tempo eu silenciei o carnaval de dentro de mim para tentar pensar mais reto. Não adiantou nada, que eu continuo pensando torto. A diferença é que agora meu torto é ainda mais chato (antes me fazia chorar ou rir, o que já era um avanço). A indiferença de agora me prega no chão. Mas escrever de novo faz com que volte a pulsar interesse e vontade.
Como romper a cápsula?
(Notei que muitos dos meus textos são Mases. “Porém”, “contudo”, “todavia”, “no entanto” e “entretanto” não têm a mesma graciosidade. “Mas” podia ser bailarina. Ou bailarino).
Pra manter minha maratona de posts (acho que foi um recorde) e o clima de contagem regressiva para o aniversário, deixo aqui um textinho encontrado no fundo da gaveta - mais uma rapa do tacho de mim. Já me abri tanto aqui, já me expus de tal forma, que não tenho mais medo de colocar coisas que escrevi inicialmente só pra mim. E não é como se vocês não me conhecessem, não é?
Boa sorte e muito agradecida por terem chegado até aqui comigo. É grande parte da minha alegria =)
Às vezes eu sinto falta de chorar. Me vem uma vontade de lágrima danada. Mas não é vontade de sofrer ou de ser triste. É só saudade de guardar tanta beleza, tanta verdade, tanto espanto, e vazar.
Eu li uma vez que o escritor tem que parar de acreditar nisso de inspiração. Que o certo é tomar vergonha na cara, sentar na cadeira e, beneditino, escrever. Posso fazer isso. Mas sai sem gosto.
É assim que tem sido há um tempo. Eu faço as coisas, eu vou aos lugares, converso, sorrio, sinto, abraço. No entanto, vem tudo tão sem gosto. E não é o insosso sentido naqueles dias epifaníacos, em que a gente parece estar descolado do resto da dimensão, andando aqui só como espectador. Esse tipo de falta de gosto, na verdade, é saborosamente colorido. A questão agora é essa ausência de fagulha para dançar dentro do peito.
Talvez esteja faltando música ou dança ou paciência ou carinho ou berço ou colo ou calma ou cafuné ou grito ou abraço ou beijo ou riso ou ímpeto ou entrega ou limite ou cumplicidade ou espaço ou espelho.
É isso que eu quero?
Eu amo. Mas que amor é esse encapsulado? Parece que depois de um tempo eu silenciei o carnaval de dentro de mim para tentar pensar mais reto. Não adiantou nada, que eu continuo pensando torto. A diferença é que agora meu torto é ainda mais chato (antes me fazia chorar ou rir, o que já era um avanço). A indiferença de agora me prega no chão. Mas escrever de novo faz com que volte a pulsar interesse e vontade.
Como romper a cápsula?
(Notei que muitos dos meus textos são Mases. “Porém”, “contudo”, “todavia”, “no entanto” e “entretanto” não têm a mesma graciosidade. “Mas” podia ser bailarina. Ou bailarino).
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Presente.
Foto de Isa Lu.
Eu escrevi esse texto para o concurso Eu Faço A Megazine, do Globo. Depois eu vi que tinha ultrapassado o limite de caracteres. Enviei para eles do mesmo jeito. Aí quis postar aqui porque, poxa.
Tirou a poeira do parapeito com mãos de quem acaricia peles.
Olhou a rua, olhou para cima, virou o corpo - cheiro forte de canela –, trocou a música, andou em frente, ficou descalça e avidamente enfiou os braços nas almofadas que descansavam tão santas sobre o sofá. Como que para contrariar tamanha placidez e beatitude, deitou-se da forma mais lasciva que pôde, provocando a mobília com sua carne de vida-por-vir.
Eu não sei deitar como ela deita.
Por isso não: ela não sabe fechar os olhos. De logo, tenta esperar a vontade de dormir vencer o corpo. Mas o corpo quer estar olhante. Então ela força as pálpebras a escurecerem o mundo, mas isso dói. Olhos ficam abertos, vendo o que não miram. Cheiro forte de canela.
No aniversário de sete anos, pediu para fazer um curso de astronauta. Ganhou um livro com fotos do espaço e um par de pantufas. Lembra-se de folhear as imagens de estrelas enquanto assistia ao irmão mais velho rodar pião. E um pião era um planeta, e muitos piões eram galáxias.
Aos nove, pediu um gravador. Ganhou um diário. Aos dez, ganhou patins. Aos onze, pediu cartas, cartas e cartas, de quem fosse, de onde estivesse – para que soubesse como é ganhar palavras – e recebeu. Aos doze, pediu o Mundo e ganhou o gato (lá no fundo, preferiu). Aos treze, sorvete de flocos. Aos quatorze quis cadernos, muitos.
E aos quinze não soube o que pedir e recebeu olhares.
(Não soube o que pedir para os pais, mas só de si, do vazio do quarto, pediu que nunca lhe faltassem saúde, comida, lápis, papel e amores. Ganhou seus próprios olhos arregalados ao notar o monte de tudo que a esperava. Um Tudo a ser tocado, sentido e guardado. Ganhou janelas mais abertas e céus sem nuvens, com esperança de chuva).
Além disso, ganhou binóculos.
Dez anos depois, ganhou flores. E o cheiro doce dos buquês parecia tentar amansar a mente aguda dos vinte e cinco. Sempre tivera cabeça de caleidoscópio. Era em voltas de cor e luz que enxergava o dia. E ia bem assim.
O gato começou a ronronar no meio da barriga da que pensa. Passando de leve a mão em seu pêlo, ela tenta avisá-lo:
- E eu ainda nem sei rodar pião.
Mas ele não liga. Não com esse cheiro forte de canela.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Fio.
Corpo posicionado, tudo certo. Olhar o meu (por assim dizer) casco (por assim dizer) de fora, é estranho. Sou menor do que pensava. Meu cabelo parece mais escuro, também. Dou uma volta ao redor de mim só para poder olhar mais um pouco. Com um suspiro, pego a corda fina e frágil para amarrar firmemente meus pés e mãos. Passo uma faixa de pano pela minha cintura. Não sei como a carne reagirá durante o procedimento. Procurei uma cadeira grande e confortável. De madeira, certo, mas suporta bem minha coluna. Minhas pernas estão em ângulo de noventa graus com o chão. Pareço confortável. A única coisa que realmente incomoda (além do sinistro fato de me ver atada a uma cadeira) é não conseguir fechar meus olhos. Pensei que seria fácil abaixar minhas pálpebras, mas meu corpo - por reflexo, talvez – insistia em se manter atento, encarando aleatoriamente o nada. Meus olhos são castanhos. E maiores do que eu me lembrava. E estão mortos e em brasa.
Ainda respiro, claro que sim. A carne está viva e o resto também. Quer dizer, quase todo resto. Alguma coisa deu defeito. E é por isso que eu saí de mim, me endireitei em algum lugar, me amarrei e agora pego a faca. Começo o corte.
Enterro a lâmina em minha cabeça, logo acima de minha orelha esquerda. Forço até que a lâmina suma. Em seguida, firmo a cadeira e continuo o corte até chegar à minha outra orelha. Então levanto a faca para que o segmento de meu crânio se separe facilmente do resto. Assim consigo uma visão ampla e precisa do que se passa sem ter de rasgar meu rosto. Retiro a tampa e de imediato consigo ver todos eles, se mexendo e entrelaçando: incontáveis fios. Cor, tamanho, espessura, consistência, velocidade – parece até que a gravidade é diferente pra cada um. Ou que não há gravidade, e cada um segue regras físicas próprias. Ou talvez não sejam físicos.
Foi por esse novelo que me prendi e me cortei. Para poder encarar cada linha, saí de mim e tirei meu sangue. O que ainda me faz segurar a faca é dor. Quando o sofrimento é tão grande que faz com que se ejete o próprio não-corpo de si, parar de se abrir é parar de tentar. Dói mais sentir que não se pode voltar. Não sinto o gelado do metal em contato com a pele, a forma como puxa e empurra antes de me talhar a fronte ou o jeito com que perfura o que tenho dentro. Não sinto nada. Meu corpo já não é mais eu.
E cada fio na minha cabeça me puxa para um lugar diferente.
(Eu acabei não terminando esse aqui – um fio mais forte me fez desviar. Mas hoje é minha última chance de postar nesse mês de agosto. Então cá estou.)
Ainda respiro, claro que sim. A carne está viva e o resto também. Quer dizer, quase todo resto. Alguma coisa deu defeito. E é por isso que eu saí de mim, me endireitei em algum lugar, me amarrei e agora pego a faca. Começo o corte.
Enterro a lâmina em minha cabeça, logo acima de minha orelha esquerda. Forço até que a lâmina suma. Em seguida, firmo a cadeira e continuo o corte até chegar à minha outra orelha. Então levanto a faca para que o segmento de meu crânio se separe facilmente do resto. Assim consigo uma visão ampla e precisa do que se passa sem ter de rasgar meu rosto. Retiro a tampa e de imediato consigo ver todos eles, se mexendo e entrelaçando: incontáveis fios. Cor, tamanho, espessura, consistência, velocidade – parece até que a gravidade é diferente pra cada um. Ou que não há gravidade, e cada um segue regras físicas próprias. Ou talvez não sejam físicos.
Foi por esse novelo que me prendi e me cortei. Para poder encarar cada linha, saí de mim e tirei meu sangue. O que ainda me faz segurar a faca é dor. Quando o sofrimento é tão grande que faz com que se ejete o próprio não-corpo de si, parar de se abrir é parar de tentar. Dói mais sentir que não se pode voltar. Não sinto o gelado do metal em contato com a pele, a forma como puxa e empurra antes de me talhar a fronte ou o jeito com que perfura o que tenho dentro. Não sinto nada. Meu corpo já não é mais eu.
E cada fio na minha cabeça me puxa para um lugar diferente.
(Eu acabei não terminando esse aqui – um fio mais forte me fez desviar. Mas hoje é minha última chance de postar nesse mês de agosto. Então cá estou.)
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Nota.
Isso não é nem um pouco relevante, mas eu senti uma vontade louca de dizer como eu me divirto com os peixinhos do aquário que tem no fim do Cesto.
(Pra quem não tinha reparado, se você for láaa embaixo da página inicial do meu blog, encontrará um aquário virtual. É só clicar que você alimenta os peixes.)
E eles ainda seguem a setinha do mouse.
Ah, que divertido.
(Pra quem não tinha reparado, se você for láaa embaixo da página inicial do meu blog, encontrará um aquário virtual. É só clicar que você alimenta os peixes.)
E eles ainda seguem a setinha do mouse.
Ah, que divertido.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Pa-pe-pi-po-pu.
Clara, venha jantar!
Clara, vá tomar banho!
Clara, vá estudar!
Clara, venha para a varanda!
Clara, vá comprar pão!
Clara, vá dar banho no cachorro!
Clara, levante e vá viver!
E eu deitada na cama lendo Rilke.
Clara, vá tomar banho!
Clara, vá estudar!
Clara, venha para a varanda!
Clara, vá comprar pão!
Clara, vá dar banho no cachorro!
Clara, levante e vá viver!
E eu deitada na cama lendo Rilke.
Exato.
Eu pensei em várias coisas para botar aqui. Depois eu pensei que nada interessava e desisti.
Mas a arte tem que interessar?
E chamar o que eu penso de arte – que prepotência!
Mas é arte a partir do momento em que ponho no papel, não?
Pensemos: se digo que sou escritora – ou mesmo finjo – tudo que escrevo fruto de minha vontade de fazer literatura é arte, não?
Respirou fundo para reconhecer a inconstância redemoíntica revolvendo-a em sensações de reluzente fugacidade. Como era de se esperar. E então sentiu, porque só sentindo poderia vir a pensar. E o pensamento veio, na velocidade de tudo aquilo que quer ser agora e não depois. Num instante viu dentro de si enormes esquemas filosóficos de transcendência sensacional! Pulou na pena para escrever.
E nesse gesto tudo passou a ter tão pouca importância.
Pensou mais. E nesse pensar de botar para fora pensou que não adianta tentar se passar para o papel. Papel não agüenta gente inteira. Se só podia ser parte, de que adiantava escrever aquilo tudo?
Perdeu a viagem. Em sua saída suspirante de cena, deixou registrado:
“É mais bonito dentro de mim.”
Mas a arte tem que interessar?
E chamar o que eu penso de arte – que prepotência!
Mas é arte a partir do momento em que ponho no papel, não?
Pensemos: se digo que sou escritora – ou mesmo finjo – tudo que escrevo fruto de minha vontade de fazer literatura é arte, não?
Respirou fundo para reconhecer a inconstância redemoíntica revolvendo-a em sensações de reluzente fugacidade. Como era de se esperar. E então sentiu, porque só sentindo poderia vir a pensar. E o pensamento veio, na velocidade de tudo aquilo que quer ser agora e não depois. Num instante viu dentro de si enormes esquemas filosóficos de transcendência sensacional! Pulou na pena para escrever.
E nesse gesto tudo passou a ter tão pouca importância.
Pensou mais. E nesse pensar de botar para fora pensou que não adianta tentar se passar para o papel. Papel não agüenta gente inteira. Se só podia ser parte, de que adiantava escrever aquilo tudo?
Perdeu a viagem. Em sua saída suspirante de cena, deixou registrado:
“É mais bonito dentro de mim.”
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